Nascer do sol

Nascer do sol
Não basta admirar e exaltar a grandeza da natureza. É preciso cuidar para que ela permaneça bela e possa ser também apreciada pelas gerações futuras.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016


                    NATAL X PAPAI NOEL

Quando eu era pequenina, pouco do mundo conhecia,
Morava em meu Ventura e ansiosa esperava o dia
De viajar para a cidade, onde tanta novidade havia.
Muitos carros, tanta gente, cinema, televisão,
Parecia outro mundo e apesar da confusão
Eu ficava animada,  bem alegre e contente.
Em meu pequeno vale, muita coisa tinha não
Mas tinha coisas bonitas aos olhos e ao coração
Um rio e um pequeno riacho banhavam aquele chão
Mato verde e nos morros o alvo manto da cerração.
Quando chegava o Natal tudo ganhava mais cor
O sol brilhava mais forte, a lua mostrava imponência,
Estrelas brilhavam no céu celebrando o amor do Pai
Que Jesus nos enviou, para mostrar a verdade
Um exemplo de humildade, numa manjedoura deixou.
Lá em casa a minha mãe, um rústico presépio montava.
Talvez fosse o mais verdadeiro, nada nele era comprado
Areia, pedras e folhagens, tudo pela natureza doado.
A cada ano relembrávamos, o Divino significado.
E a árvore de Natal então que me encantara num cartão?
Enfeitava um galho seco que cobria com algodão,
Com flores de papel de seda, algumas de papel crepom
E na minha doce inocência, esperava com paciência
O momento especial, que Papai Noel passasse
No meu quarto e deixasse, o meu presente de Natal.
Não era um presente caro, mas tinha muito valor,
Nessa hora é que entrava, a criatividade, o amor.
Qualquer coisa era bem vinda, havia a conscientização.
Eram muitas crianças, muitos sonhos a realizar
Por isso Noel poderia naquela noite não passar.
Assim eu me conformava, de nenhum presente ganhar
E o Sonho do Natal continuei a cultivar.
Quando ainda com dez anos minha mãe pra Deus voltou.
Acabaram-se os sonhos e em lugar das alegrias,
Só o vazio,  a saudade e a tristeza restou
Mas Deus em sua bondade, nunca me abandonou.
Voltei a sonhar com o Natal sem as estrelas de Ventura
Mas com o brilho da ternura que vi nos olhos do meu filho.
Ensinei-o a vigiar, orar e também compartilhar
Que o imenso legado de Jesus, não termina numa cruz.
Papai Noel não existe, coelho-da-páscoa, nem fada,
Mas no dia que a fantasia deixar de ser cultivada
Morrerão também os sonhos, nos entregaremos ao nada.
Não precisa ter dinheiro para se dar uma lembrança
Quando se tem o amor e em Deus a confiança,
Uma florzinha do campo, na janelinha deixada
É motivo de louvor, de alegria e esperança.

FELIZ NATAL!!!!!!
Fátima Almeida
23/12/16



















sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O Eterno Adolescente


O eterno adolescente!

Sujeitinho impulsivo, rebelde e metido a independente igual a ele, eu desconheço. Só faz o que dá na telha, não dá a mínima atenção para conselhos. Por mais que você lute contra um sentimento, só ele decide o final. O danado insiste em ver coisas que os olhos, aqueles que a terra ou o fogo haverão de comer, nunca poderiam ver. De nada adianta lutar contra ele. Teimoso como uma mula, escolhe gostos e desgostos, recusa-se a seguir regras, padrões. Nega a razão e dá razão a negações quando bem lhe convém. Desafia e derruba qualquer argumento que não seja favorável ao seu “querer”. Adora correr riscos. Faz sofrer qualquer um que caia nas suas garras, nas suas graças ou nas suas teias. Ignora tempo e espaço, cor, raça, credo e toda e qualquer coisa que vá de encontro aos seus desejos e anseios, mas em sua impetuosidade esquece que é apenas a peça mais frágil de uma máquina que apesar de depender do seu vigor para funcionar, regra geral, faz pouco caso dos registros por ele impostos.
Finalmente, mesmo a revelia, atrevo-me a dar uma sugestão:
Ah! coração, vê se amadurece!


Fátima Almeida
10/05/2016




segunda-feira, 12 de setembro de 2016

TATUAGENS DO TEMPO, TATUAGENS NO CORAÇÃO




Meus amigos, apresento a vocês o meu novo trabalho:




Assim como METAMORFOSE EM VERSO E PROSA, este também foi publicado no Clube de Autores e encontra-se disponível no link:

http://www.clubedeautores.com.br/book/217371--TATUAGENS_DO_TEMPO#.V9a31PkrJD8

Agradeço a visita!

quinta-feira, 26 de maio de 2016


O eterno adolescente!

Sujeitinho impulsivo, rebelde e metido a independente igual a ele, eu desconheço. Só faz o que dá na telha, não dá a mínima atenção para conselhos. Por mais que você lute contra um sentimento, só ele decide o final. O danado insiste em ver coisas que os olhos, aqueles que a terra ou o fogo haverão de comer, nunca poderiam ver. De nada adianta lutar contra ele. Teimoso como uma mula, escolhe gostos e desgostos, recusa-se a seguir regras, padrões. Nega a razão e dá razão a negações quando bem lhe convém. Desafia e derruba qualquer argumento que não seja favorável ao seu “querer”. Adora correr riscos. Faz sofrer qualquer um que caia nas suas garras, nas suas graças ou nas suas teias. Ignora tempo e espaço, cor, raça, credo e toda e qualquer coisa que vá de encontro aos seus desejos e anseios, mas em sua impetuosidade esquece que é apenas a peça mais frágil de uma máquina que apesar de depender do seu vigor para funcionar, regra geral, faz pouco caso dos registros por ele impostos.
Finalmente, mesmo a revelia, atrevo-me a dar uma sugestão:
Ah! coração, vê se amadurece!


Fátima Almeida
10/05/2016



quarta-feira, 27 de abril de 2016


                                                   Pássaro Ferido

                                  Qual pássaro na gaiola encarcerado
                                  Asas atadas, sonhos e  ilusões perdidas
                                  A debater-se meu eu desesperado
                                  Jaz desolado em grades retorcidas

                                  Na ânsia de voar, sentir-se libertado
                                  Exangue, esquece as dores das feridas
                                  Tentando evadir-se já tão baqueado
                                  Restando-lhe a esperança de outras vidas.

                                  Mas apesar de tudo, o pássaro canta
                                  Chora uma poesia de tristeza tanta,
                                  Que sangra-lhe o peito ao lembrar a desdita

                                  Não te agastes assim pássaro ferido
                                  Teu lamento será por Deus ouvido
                                  E Ele então libertará a tua alma aflita.   

                                                Fátima Almeida
                                                    11/02/16

terça-feira, 5 de janeiro de 2016


RENASCENDO...


Linda crisálida... Tão inocente...
Arrasta-se pelo jardim livremente
Mal sabe ela que de repente...
Será uma borboleta imponente!

Linda borboleta passeia livremente
Pelo jardim florido...  Tão inocente
Mal sabe ela que de repente...
Será uma crisálida imponente!

Fátima Almeida

Set/2010

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016


QUEM DIVIDIU O TEMPO?

Eis que é chegado o final de mais um ciclo. Fizemos planos, projetamos metas e trabalhamos para cumpri-las. Eis que é chegado também o tempo de fazermos um balanço, para determinar o saldo de todas os nossos atos e atitudes, durante o ano. É o momento em que precisamos refletir bastante, rever nossos conceitos e tentar corrigir o que necessitar de correção. O tempo passa rápido e como versejou o grande poeta Mário Quintana, “...quando se vê já é Natal...  quando se vê já terminou o ano...”

“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente.”

Esse belo texto tem sido compartilhado na web com autorias controversas. Quem não gostaria de tê-lo escrito? Já o atribuiram ao poeta bardo Shakespeare, ao genial Chaplin, ao inigualável Drummond, e por fim, alguns sites apontam como autor, o Jornalista Roberto Pompeu de Toledo. Seja quem for seu criador, estava no auge da inspiração quando o escreveu e o publicou para que fosse apreciado e comentado pelos que têm interesse em versar sobre o tempo.

O tempo... que Caetano Veloso definiu como “um senhor tão bonito, compositor de destinos, tambor de todos os ritmos e um dos deuses mais lindos.” Que fez Renato Russo descobrir que  todos os dias quando acordamos não temos mais o tempo que passou, aliás, conta-se que Galileu Galilei, em certa ocasião, ao lhe perguntarem quantos anos teria, respondeu: Tenho, na verdade, os anos que me restam de vida, porque os já vividos não os tenho mais,” e Cazuza nos lembra que “o tempo não pára.” Até um trava-línguas popular nos leva à pensar sobre o tema: “O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem, o tempo respondeu ao tempo, que o tempo tem quanto tempo, quanto tempo o tempo tem”.

Muitos discursos, muita poesia, mas o tempo é muito mais que tudo isso. É uma questão filosófica que cada vez mais desperta o interesse de cientistas, filósofos, compositores, artistas e de todos que têm o hábito de organizar e cronometrar a realização de suas tarefas.

No Livro XI, da obra Confissões, o Pensador Agostinho de Hipona escreveu: “Que é, pois, o tempo? Quem poderá explicá-lo clara e brevemente? Quem o poderá apreender, mesmo só com o pensamento, para depois nos traduzir por palavras o seu conceito? Quando dele falamos, compreendemos o que dizemos. Compreendemos também o que nos dizem quando dele nos falam. O que é, por conseguinte, o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei.” Para ele, os tempos passado, presente e futuro existem, na alma.

O filósofo Aristóteles, também dedicou-se ao estudo do tempo.  Encontrou uma relação entre tempo, movimento e alma e afirmou que o tempo poderia ser fracionado, dividido, mas incontável, composto de passado e futuro: “O que já foi não o é, e o que será ainda não o foi”.

Quem nunca questionou, por que o ano tem 12 meses? Quem dividiu o tempo?

Estudos e descobertas arqueológicas indicam que desde o aparecimento dos primeiros hominídeos, em todas as civilizações antigas, por algum motivo, alguém já se ocupava da medição do tempo. Inicialmente eles achavam que apenas o sol e a lua se movimentavam, enquanto a terra ficava parada. Com o passar do tempo, surgiram aparelhos que facilitaram a observação, juntamente com informações colhidas dos agricultores sobre a inexplicável diferença de clima em determinadas épocas. Estudiosos então,  resolveram dividir o tempo.

Sabendo que o Sol voltava a passar exatamente pelo mesmo lugar em determinado período, dividiram esse intervalo em 12 partes iguais e chamaram de ano. 12 meses é o período em que o planeta Terra faz sua volta em torno do Sol. Enquanto isso a Lua dá 12 voltas em torno da Terra e cada volta dura aproximadamente 30 dias – um mês. Então, o ano tem 12 meses, o mês tem 30 dias, e cada dia tem 24 horas – tempo em que a Terra dá uma volta em torno do seu eixo.

E cada povo usou suas crenças e costumes para elaborar seu calendário:

Os Sumérios dividiam o ano em 12 meses de 30 dias sendo que os dias eram divididos em 12 períodos (que equivalem a duas horas), e dividiam cada um destes períodos em 30 partes (aproximadamente 4 minutos).

O  calendário Egípcio, inicialmente baseava-se nos ciclos das fases da lua. Depois os egípcios vieram a utilizar o movimento da estrela Sírius, que passa próxima ao sol a cada 365 dias, coincidindo com o início da cheia do Rio Nilo.

Os Maias, além do Sol e da Lua, baseavam seu calendário também no planeta Vênus.

Os Judeus têm um calendário lunissolar. Baseiam-se nos movimentos tanto da Terra em relação ao Sol quanto da Lua em relação a Terra. Contam o tempo a partir da criação do Universo, que afirmam ter ocorrido há cerca de 6 mil anos.

O calendário Árabe baseia-se no ciclo lunar e têm como referência o ano da Hégira – fuga de Maomé de Meca para Medina - 622 a.C.

Para os Cristãos foi criado um calendário solar calculado por Dionysius Exiguus,(calculista do Papa) e apesar de haver divergências nos registros históricos, teve como marco inicial o nascimento de Jesus, Ano I da Era Cristã.

Mas se somos imortais, o que é um ano diante da eternidade?

Sabemos que a questão do tempo não é tão simples. Nós, enquanto seres humanos, precisamos aproveitá-lo o máximo possível. Aportamos nesse orbe com a difícil tarefa de aprender a amar o próximo a começar por nós mesmos. A missão é árdua e precisamos correr contra o tempo, para aprender e colocar em prática o nosso aprendizado. Nosso espírito, sim, é imortal, feito à imagem e semelhança de Deus, mas enquanto estivermos aprisionados na matéria, precisamos gastar com sabedoria cada milésimo de segundo do tempo que nos foi concedido, porque a cada existência por aqui, ele é limitado.

Uma nova fatia de tempo, se aproxima. Que as pessoas consigam entender, que não se busca a paz fazendo guerra. Que não é contra o próximo que devemos lutar e sim contra nós, nossas imperfeições e se conseguirmos vencer o monstro do egoísmo que por vezes nos domina, a paz virá como consequência benéfica. Virá como um Ano Novo.

FELIZ ANO NOVO! QUE SEJA BEM-VINDO 2016!

Fátima Almeida
26/12/2015


Notas:

Calendário: conjunto de unidades de tempo (dias, meses, estações, ano, ...), organizadas com o propósito de medir e registrar eventos ao longo de "grandes períodos".

O filosofo grego Aristóteles nasceu em 384 a.C. e morreu em 322 a.C.

Agostinho de Hipona, Santo Agostinho (354-430) foi um grande pensador.

Tempo – Mário Quintana (fragmentos)
Oração ao tempo – Caetano Veloso (fragmentos)
Tempo Perdido - Renato Russo (fragmentos)

OBS.: No caso da  falsa autoria, a confusão pode ter se originado porque Drummond tem um poema sobre o ano novo, o Receita de Ano Novo

Fontes da pesquisa, confirmando a falsa autoria:

Pesquisa Geral - Google