Nascer do sol

Nascer do sol
Não basta admirar e exaltar a grandeza da natureza. É preciso cuidar para que ela permaneça bela e possa ser também apreciada pelas gerações futuras.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

ENTÃO… É NATAL!

So this is Christmas, and what have you done?” Assim iniciou essa linda canção o inesquecível John Lennon nos lembrando que Natal é um tempo de reflexão e a finalizou exortando-nos a cultivar a esperança e a paz...  War is over, If you want it, war is over, now.”Quem dera fosse tão fácil acabar uma guerra! Quem dera dependesse só do nosso querer!

Natal é a data em que comemoramos o nascimento de Jesus e o dia 25  de dezembro foi oficializado no século IV, pelo Papa Júlio I. É uma data de suma importância para os cristãos. Com o nascimento de Cristo foi estabelecido o Ano I da Era Cristã.

As festas natalinas incluem diversos símbolos tradicionais como o Papai Noel, inspirado no Bispo Nicolau, que costumava ajudar muitas pessoas, inclusive deixando saquinhos com moedas junto às chaminés, nesta data.

O presépio, que representa o cenário do nascimento de Jesus: a manjedoura, a Sagrada Família, os animais e os três Reis Magos, foi uma tradição legada por São Francisco de Assis, no século XIII.

Muitos outros símbolos: a estrela de natal, como a que guiou os Reis Magos até a manjedoura, as luzes que mostram Jesus como a luz do mundo e finalmente a Árvore de Natal.

Uma versão da associação da árvore ao Natal nos dá conta de que o formato triangular do pinheiro seria uma representação da Santíssima Trindade. Outra, que a tradição começou na Alemanha, com Martinho Lutero que uma noite, enquanto caminhava pela floresta, encantou-se com os pinheiros cobertos de neve, sob um céu estrelado e ao chegar em sua casa tentou reproduzir a imagem que tanto lhe impressionou, usando estrelas, enfeites e velinhas e algodão.

Assim como Lutero, uma menina chamada Lara, também ficou encantada, mas apenas com a figura de uma árvore de Natal, estampada num Cartão recebido pelos seus pais.


O Natal de Lara

Lara vivia em um pequeno lugarejo onde não havia lojas para comprar artigos natalinos, mimos e presentes especiais, mas sua mãe sempre dava um jeitinho de providenciar algo para que os seus sapatinhos não ficassem vazios na noite de Natal. Aproveitava as viagens do esposo à cidade grande e quando ele retornava tinha o cuidado especial de esconder os presentes, para que ela e seu irmãozinho acreditassem que o Papai Noel os trouxe. Era a única noite do ano que concordavam em dormir com a lamparina apagada. Era necessário, senão o Bom Velhinho não se aproximaria. Quantas vezes se propuseram fingir dormir e flagrar Noel, mas acabavam sendo vencidos pelo sono.

Como cristã fervorosa, sua mãe nunca deixou de lhes ensinar o verdadeiro significado do Natal. Montavam um pequeno presépio, apenas com os recursos que dispunham à sua volta. Supernatural, mas simbolizava o nascimento de Jesus e rezavam agradecendo as bênçãos recebidas e rogando a Deus que os livrasse das pestes, da fome e das guerras.

Uma “Árvore de Natal” com bolas coloridas era o seu maior sonho, até então impossível. Conformava-se, com um galho seco coberto com algodão, enfeitado com flores confeccionadas em papel crepom.

O dia de Natal era uma festa! Abrir os presentes que Papai Noel deixava nos sapatinhos era bom demais e eles deveriam ter prestado mais atenção à felicidade estampada nos olhos dos seus pais por lhes proporcionar aquela alegria. Eram apenas crianças, como cobrar-lhes essa percepção?

Tudo isso mudou quando ela tinha dez anos e o seu irmãozinho, apenas cinco. Papai do Céu precisou da sua mamãe e a levou. Desde então, nunca mais Natal, nunca mais sapatinhos junto às caminhas, nunca mais Papai Noel. Por um bom período, Natal tornou-se sinônimo de solidão, tristeza, saudade.

Mas o tempo passou, Lara cresceu e decidiu reconstruir seu Natal. Não era a mesma coisa, mas tinha Parque de Diversões, Barraquinhas de Pescaria, Maçã do Amor, Coreto da Praça transformado em cabine de rádio, onde as pessoas pediam músicas e as ofereciam aos amigos, aos “paqueras”,  etc. Apesar de parecer bobo, não deixava de ser divertido. Aquela multidão circulando na Praça, todos alegres, conversando. Namorados desfilando de mãos dadas, isso era importante! Quando um rapaz decidia passear ali de mãos dadas com uma moça era um sinal de compromisso. Significava que ele estava assumindo o namoro. Hoje isso talvez seja chamado “mico”, como tudo que é saudável, correto e romântico.

O mundo deu mais algumas voltas e ela passou a ocupar o lugar da sua mãe. Agora ela tinha um filho e queria que ele vivesse o Natal como ela sonhava. Não tinha recursos? E daí? Tinha amor e fé. Quando ele fez um ano, Lara não pôde sequer comprar uma árvore, mas comprou um “pisca-pisca” e o colocou numa planta. Ele adorou! Nos anos que se seguiram ela se esforçou o máximo e esperou ansiosa a hora de ver aqueles olhinhos brilharem com a chegada do Natal. Lara atentou para um detalhe muito importante: apresentou-lhe um Papai Noel que trazia os presentes que Papai do Céu, mandava. O pedido era feito a Deus de forma racional: “Papai do Céu, eu queria ganhar um presente no Natal, mas se você não puder me dar, não vou ficar triste.” Era sempre assim que pedia algo. Ela sabia que apesar de amarmos demais os nossos filhos, não podemos esquecer de conscientizá-los de que nem sempre podemos ter tudo que desejamos. Seu presente para ele era sempre algo bem simples, mas, o presente de Papai do Céu que Noel trazia, ela não media esforços para que fosse “grande”, e o mais interessante é que aqueles olhinhos sempre brilharam ao receber qualquer coisa. Por mais simples que fosse ele agradecia. Aos dois anos, encontrou no sapatinho um carrinho com pedais. Vibrou muito, adorou. Logo depois ela entregou-lhe o “presente de mamãe” - uma guitarrinha de madeira, bem simples, que ele não largou a noite inteira.

E a roda da vida continuou girando. Deus permitiu que Lara continuasse ao lado do seu filho que agora já é adulto, aprendeu a viver o Natal e a linda árvore que adorna a sua casa, já há algum tempo tem sido patrocinada por ele. Talvez se ela não acreditasse em seu sonho, hoje não possuísse sequer uma Árvore de Natal e muito menos, tivesse um motivo, para vê-la brilhar.

Tenhamos fé, busquemos a realização dos nossos sonhos, que podem ser muito maiores que a “Árvore de Natal” da menina Lara, mas serão sempre possíveis se acreditarmos.                            

Festejemos o aniversário do Divino Mestre com muita alegria e gratidão, aproveitando a inspiração e a magia da data para refletir e planejar as mudanças interiores necessárias para o próximo ciclo, 2016!

FELIZ ANIVERSÁRIO JESUS!

QUE TODOS OS LEITORES DESTE BLOG TENHAM UM NATAL DE
MUITA PAZ E LUZ!

Fátima Almeida
09/12/2015


Citações em evidência: Song by John Lennon -  Happy Christmas
PesquisaTema: Google
























quinta-feira, 17 de dezembro de 2015



 Dreams II

Fall asleep in your arms
and wake up slowly.
Open my eyes
and find your sweet look.
 feel the heat of his mouth
seeking my lips
while his hands
slide on my body
making the recognition
of their domains.
And in that moment
of tenderness and peace,
love happens.

Fátima Almeida
15/12/15      

sábado, 12 de dezembro de 2015

                               
                                       
Perdendo o verbo

Porque perder
foi o verbo
que mais aprendi
a conjugar
em minha vida.

todas as formas
todos os tempos
todos os modos

sempre
na mesma pessoa,
no singular.

tamanha é a ironia
que até consigo perder
o que nunca tive um dia.

Fátima Almeida

12/12/2015

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015



COMO O PEQUENO PRÍNCIPE...

O Pequeno Príncipe, obra fantástica do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, foi muitas vezes divulgada como Literatura Infantil, como uma fábula, mas se bem observadas as entrelinhas, percebemos tratar-se de algo mais complexo, permeado por um alto teor filosófico e poético e temos notado, um tanto decepcionados como ainda existem adultos que não conseguem ver “o elefante engolido pela jibóia”. Olham e não vêem, porque não usam o coração para ver que todos temos um pouco do Pequeno Príncipe e vivemos algumas das suas experiências ao longo das nossas vidas.

Como o pequeno príncipe...

Caímos em nossos desertos e encontramos pilotos tão concentrados em resolverem seus problemas que, por vezes, nem percebem a nossa presença e insistimos em chamar-lhes a atenção com os nossos “carneiros” apenas para conquistar-lhes a amizade.

Percorremos muitos caminhos em busca de respostas. Perseguimos sonhos.
 
Vivemos esperando o despertar das invisíveis sementes, tentando distinguir os “baobás” das “roseiras”, e tememos que os “carneiros” possam devorar as nossas “rosas”, vaidosas e orgulhosas, mas tão frágeis, apesar dos espinhos, embora precisemos deles para consumir os camuflados “baobás” que sorrateiramente dominam nossos planetas e asteróides.

Quando ficamos tristes gostamos de contemplar o pôr-do-sol e muitas vezes desejamos poder apenas mover a nossa cadeira para fazê-lo infinitamente.

Tropeçamos em cogumelos. Em reis nem sempre tão razoáveis como aquele que entendia que não se deve exigir de alguém mais do que esse alguém pode oferecer. Vaidosos inveterados, que só ouvem elogios e acham-se o centro do Universo. Beberrões que nem vêem a vida passar. Homens de negócios que se julgam donos das estrelas e em acendedores de lampiões que apesar de tão atrelados ao regulamento, são os únicos que realmente demonstram alguma preocupação com as outras pessoas..

Decepcionamo-nos com as nossas “rosas”, mas aprendemos com algumas “raposas” que o amor torna tudo possível, até suportar as larvas, para mais tarde conhecermos as borboletas, além de coisas importantes como aprender a criar laços, porque é chegado o tempo em que tudo se compra nas lojas, virtuais eu sei, mas nunca vimos uma loja de amigos e para não ficarmos sem eles precisamos “cativar”, mesmo correndo o risco de nos tornarmos responsáveis por aquilo que cativamos e o pior, correndo o risco de chorar. E é tão misterioso o país das lágrimas... (*)

Sentimo-nos sozinhos no deserto das nossas convicções, porque descobrimos com pesar, que os “homens passaram”.

Encontramos a esperança e nos encantamos quando, apesar de toda a aridez, os desertos nos revelam, ainda que lá no âmago, um poço fecundo de águas límpidas e transparentes.

No fim da caminhada, cumprido o nosso tempo na terra, temos a necessidade de voltar. Assim como o PRÍNCIPE, parecemos sofrer, parecemos morrer, temos medo até, mas apenas deixamos para trás o que já não nos serve, a veste densa é desnecessária lá em nossos “asteróides”.

Como “o essencial é invisível para os olhos” (*) os nossos pilotos costumam sofrer com a separação, mas acabam se conformando ao pensar que lá nas estrelas, estaremos sempre rindo para eles. 

O Pequeno Príncipe acaba por nos mostrar com sua linguagem e personagens simbólicas, uma profunda mudança de valores. Nos alerta que devemos avaliar melhor as coisas e as pessoas que nos cercam para que os nossos julgamentos não nos levem à solidão.

Somos adultos, temos as nossas ocupações e preocupações diárias, mas não podemos deixar morrer em nós a criança que já fomos. Não precisamos ser cogumelos, homens de negócios, bêbados, reis ou acendedores de lampiões apenas para provarmos que somos “pessoas grandes”.

Você duvida, que “quando o mistério é muito impressionante a gente não ousa desobedecer?” (*)

Fátima Almeida
20.11.15

Notas:

(*) citações  de Saint-Exupéry

Antoine Marie de Saint-Exupéry nasceu em Lyon, na França, em 1900. Entre suas obras mais conhecidas estão O Pequeno Príncipe, Vôo Noturno, Terra dos Homens e Cidadela.
O Pequeno Príncipe foi publicado, nos Estados Unidos, em 1943 e um ano depois Exupéry desapareceu numa queda do avião que pilotava. Hoje esse livro é o terceiro mais vendido no mundo.





ERA UMA VEZ... UM REI, UM PRÍNCIPE E UM PLANETA


Estamos em dezembro. Tempo do Advento, quando os cristãos se preparam para a chegada de Jesus, refletindo sobre seus erros e tentando viver em paz com os irmãos. Nas quatro semanas que antecedem o Natal, inicia-se o Ano Litúrgico, ou seja, o “Calendário da Igreja Católica” que não coincide com o ano civil.

Muitas mensagens começaram a circular nas redes sociais falando sobre esse período e sabemos que muitas pessoas desconhecem o significado. Não irei estender-me mais sobre o assunto, porque reconheço não ser capacitada para tal, apenas quis fazer a pequena referência para iniciar a reedição de um texto cujo tema, acredito caber em qualquer época do ano, mas que é ideal para as reflexões do Tempo do Advento.


ERA UMA VEZ um Rei muito poderoso. Era o Rei de todos os reinos do Universo.

Certo dia, um dos seus filhos, o mais especial, pediu-lhe algo peculiar. Queria permissão para cuidar pessoalmente dos seus irmãos menores e para isso precisava de um local onde pudessem aprender e ensinar as leis do amor, gerações após gerações.

O Rei comovido com o pedido do Príncipe aquiesceu e ordenou que fosse iniciado o projeto para a construção.

O Príncipe por sua vez, versado em todos os “assuntos”, chamou para si a responsabilidade e projetou o tão idealizado lugar, atentando para os mínimos detalhes.

O plano era perfeito! E assim surgiu em algum sistema solar, em alguma galáxia, um planetinha encantador, de um colorido sem igual, com uma variedade de espécies incalculável. Florestas, montanhas, planícies, rios e grandes oceanos abrigavam “vidas” sob formas diversas. A cada um foi dada a sua missão nessa jornada evolutiva.

Tudo estava perfeitamente organizado. Chegaram os filhos do Rei que habitariam aquele paraíso, mas como logo se julgaram superiores a todos os seres que encontraram, os trataram com desdém e acabaram por escravizar e destruir tudo para satisfazer os seus desejos egoístas.

O Príncipe que tudo via, tentou de mil formas resolver a situação, sem interferir no caminho dos seus irmãos, visto que essa foi a única exigência do Rei - a liberdade. A todos foram mostrados os dois caminhos e a escolha deveria ser livre. Sem sucesso, porém, apelou para o Pai que lhe propôs viver durante algum tempo como um deles, para tentar convencê-los dos seus erros e ajudá-los, através do exemplo, a entender e praticar o mais perfeito código de leis que já existiu e foi trazido por ele. Leis fundamentadas na ética e no amor. Mas nem todos entenderam esse gesto tão grandioso, o acusaram e o mataram (acharam em sua cegueira que o tinham matado) Coitados!

E assim o Príncipe dos Príncipes, o Governador daquele planeta criado com tanto amor e esmero tem assistido a destruição da sua obra. Muitos dos seus irmãos não o reconhecem, outros não têm olhos para vê-lo, arraigados que estão na matéria, enquanto mais alguns pregam o seu retorno sem lembrarem as suas palavras após a ressurreição: “Eis que estarei convosco todos os dias até o final dos tempos.”

Mas a missão do Príncipe não falhou. Quem soube ver e quis aprender, entendeu as suas lições de humildade desde que aqui chegou em uma  manjedoura, filho de jovens “pobres” e cercado por “animais”, em vez de palácio, reis e servos. Ele era sim filho do Rei dos Reis, mas deixou claro que o Seu reino não era material, perecível, quando disse que não era desse mundo.

Deu exemplo de confiança e obediência, quando ao ser crucificado poderia ter cruzado os braços e em vez disso ele pediu ao Pai para “afastar o sofrimento” se fosse possível, mas aceitou com resignação a sua tarefa. Seus muitos ensinamentos foram sempre através de exemplos.

Devido às alterações físicas e fluídicas do referido planeta encontrarem-se atualmente alteradas em virtude dos atos e atitudes indignas dos seus habitantes, tornou-se imprescindível antecipar e acelerar a grande transformação geológica. Como numa boa escola, os alunos já estão sendo redirecionados às “séries” condizentes com o seu aprendizado. É mais uma chance que o Príncipe concede aos seus irmãos que não entenderam o seu propósito e se recusam a seguir as leis de amor e os desígnios do Rei dos Reis.

Urge que se apressem todos. É tempo de refletir e se necessário for, de mudar, evoluir.

Fátima Almeida
Reeditado em 05/12/2015



Nota:

O Advento (do latim Adventus: "chegada", do verbo Advenire: "chegar a")[1] é o primeiro tempo do Ano litúrgico, o qual antecede o Natal. Para os cristãos, é um tempo de preparação e alegria, de expectativa, onde os fiéis, esperando o Nascimento de Jesus Cristo, vivem o arrependimento e promovem a fraternidade e a Paz. No calendário religioso este tempo corresponde às quatro semanas que antecedem o Natal.
Fonte: Wikipédia


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015


Bem desse jeito

toque suave
mente brilhante
olhar expressivo
voz cativante

toque cativante
mente expressiva
voz suave
olhar brilhante

em qualquer ordem,
qualquer forma de escrever
as palavras adjetivam,
confirmam, definem você.

Fátima Almeida
   04/12/15
                                
                                        LUA DE TODOS OS SONHOS

                                              Lua do céu
                                              Lua de mel
                                              Lua de sangue
                                              Lua do mangue
                                              Lua do cio
                                              Lua do rio
                                              Lua do mar
                                              Lua azul
                                              Lua sem luz
                                              Lua sem sol
                                              Lua sem lua
                                              Lua dupla
                                                           Superlua
                                             Lua da rua
                                             Lua nua
                                             Lua lua
                                             Lua de Jorge
                                                         Matando o dragão
                                             Lua polêmica
                                             Lua Inspiração
                                             Lua do verso
                                                        Do Universo
                                                        Do poeta,
                                                        De alma inquieta
                                             Lua paixão.
                                             Sei que você aí neste vasto Cosmo
                                             Que está acostumado a olhar em volta
                                             E ver muitas luas, nunca vai entender
                                             O amor que temos pela nossa
                                             Única e maravilhosa LUA.


                                                                    Fátima Almeida

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

                                  UM LAMENTO POR NOSSOS IRMÃOS VÍTIMAS DAS
                                                 TRAGÉDIAS EM MARIANA E PARIS

terça-feira, 10 de novembro de 2015


LIBERDADE

Dia 12 de novembro – Dia da Liberdade no Brasil, segundo informações da Wikipédia. Por que? Não se encontra respostas disponíveis, mas alguma razão haverá de existir.

Muito se tem falado sobre o tema. Tornou-se uma palavra de ordem na vida das pessoas, mas poucos conhecem o seu verdadeiro significado e alguns ainda cometem o terrível equívoco de considerá-la sinônimo de libertinagem.

Na etimologia grega, liberdade (eleuthéria), tratava-se apenas de uma possibilidade do corpo, movimento. Nada ligado a consciência ou espírito.

A palavra alemã Freiheit dava à liberdade o significado de ausência de limitações e a palavra originou-se do vocábulo Freihals (pescoço livre), livre dos grilhões que prendiam escravos.

Na Antiguidade, a liberdade era uma qualidade do cidadão e sua expressão era sobretudo política.

Em livros e dicionários inúmeros significados são atribuídos à palavra. Do latim, “libertas”, liberdade é:

Condição do homem que pode dispor de si ou do que não é propriedade de outrem; Faculdade de praticar tudo aquilo que não é proibido por lei; Conjunto de direitos garantidos ao cidadão pela lei fundamental do Estado; Direito de agir segundo o seu livre arbítrio, desde que não prejudique outrem; Nível de independência absoluto e legal de um indivíduo, de um povo ou nação; Estado de pessoa livre e isenta de restrição externa ou coação física ou moral, etc.

A filosofia classifica a liberdade como a independência, a autonomia do ser humano e a considera um conceito utópico, uma vez que é questionável. Será que os indivíduos têm realmente a liberdade que dizem ter? Grandes filósofos a consideram como aptidão particular do indivíduo de escolher, expressando os distintos aspectos da sua essência ou de sua natureza.

"Para que eu seja livre, não é necessário que eu seja indiferente na escolha de um ou outro dos dois contrários; mas, antes, quanto mais eu tender para um, seja porque eu conheça evidentemente que o bem e o verdadeiro aí se encontram, seja porque Deus disponha assim o interior do meu pensamento, tanto mais livremente o escolherei e o abraçarei."(Descartes)

Segundo René Descartes, age com mais liberdade quem melhor compreende as alternativas que precedem a escolha, o que deixa bem claro que quanto maior o conhecimento, mais livre é o indivíduo. Em se tratando de uma comunidade então, os benefícios se multiplicarão à proporção que a compreensão dessas alternativas seja estimulada.

Para Baruch Espinoza, ser livre significa agir de acordo com sua natureza, mas associa a ideia de liberdade à noção de responsabilidade.

Já para Jean Paul Sartre, a liberdade é a condição ontológica do ser humano. O homem é antes de tudo livre, para definir-se, engajar-se, encerrar-se, esgotar a si mesmo. Também defende que se a liberdade não é absoluta ela não existe.

Na Bíblia, o apóstolo Paulo afirma em 1 Coríntios 6:12 que “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.” Em outras palavras nos diz, que somos capazes de fazer muitas coisas, mas nem tudo deve ser feito, porque nem tudo é bom e para cada ação existe sempre uma reação, uma consequência.

Será que quando alguém grita: “eu sou livre, posso fazer o que quiser e ninguém tem nada com isso!” tem consciência de que não é bem assim que a liberdade funciona?

Quando você decide que é livre e usa essa prerrogativa para ultrapassar limites, praticar atos que coloquem em risco a integridade física, emocional ou psicológica de outras pessoas, para transgredir, desprezar regras, entre outras irresponsabilidades, você pode ser tudo, menos livre, porque a liberdade observa o bom senso, o respeito. Essas características são condizentes com a libertinagem, que escraviza e mutila o ser humano. O libertino é rebelde, egocêntrico, embrutecido, escravo dos desejos desenhados pela própria mente e a libertinagem demonstra falta de dignidade e de bom caráter, enquanto que a liberdade torna o indivíduo capaz de manter uma convivência saudável com a sociedade.

Pense nisso, procure conhecer as alternativas de escolha que a vida lhe oferece, nunca esquecendo que a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.

Fátima Almeida
07/11/2015







segunda-feira, 2 de novembro de 2015


                                  DIA DE FINADOS – O que comemoramos?

Dia de Finados ou Dia dos Mortos é um dia criado para homenagear as pessoas que já faleceram. Foi instituído pela Igreja Católica no século V como um dia do ano em que se rezava por todos os mortos não contemplados nas orações de alguém. A partir do século XI, os Papas Silvestre II, João XVII e Leão IX, obrigaram a comunidade a dedicar um dia aos mortos e no século XIII, esse dia passou a ser comemorado no dia 2 de Novembro.

A religião protestante não reconhece o feriado do Dia dos Finados como uma celebração. Alegam que a data não está presente na Bíblia, por isso  eles não têm motivos para comemorar ou homenagear. 

A Igreja Metodista, celebra Finados no Dia de Todos os Santos, porque considera  santos todos os fiéis batizados, de modo que, no primeiro dia de novembro, a congregação local honra e recorda seus membros falecidos.

Em Portugal, também é comemorado no dia 02, mas é denominado Dia dos Fiéis Defuntos.

El día de los Muertos” é como o México celebra esta homenagem. Em vez de choros e lamentações, muita animação e alegria. Segundo dizem, os mortos vêm visitar seus parentes. Ela é festejada com comida, bolos, festa, música e doces, sendo os preferidos das crianças, as caveirinhas de açúcar. Chegam a usar pinturas de caveiras no corpo e decorar casas com esqueletos. Tão diferente que tornou-se atração turística.

Para o filósofo León Denis, os druidas foram os primeiros a estabelecer uma data específica dedicada aos mortos. As reuniões eram feitas nos lares e não nos cemitérios, no primeiro dia de Novembro.

Outras versões nos contam que, como para os Celtas, dia 31 de outubro era o fim de um ciclo, de um ano produtivo, quando se iniciava o período que para nós é o outono e era encerrada e estocada a colheita nesta região, acreditava-se que este seria o dia de maior proximidade entre os encarnados e os desencarnados. Comemoravam também com muita festa e muita alegria porque acreditavam que os seus parentes os visitavam e os perdoavam de algum sofrimento que lhes tivessem causado, além de ter o significado de sabedoria pela humildade para saber pedir perdão e como prova de vida além da vida.

Para nós espíritas, visitar o túmulo é uma forma de expressar a saudade, o respeito e o carinho pelo espírito querido. Segundo Allan Kardec essa lembrança os sensibiliza, conforme sua situação, mas recomenda que não deve se prender a manifestações de desespero, cobranças e acusações. O espírito, não se encontra no cemitério, podendo, portanto, ser lembrado e homenageado através da prece em qualquer lugar. (LE – Q. 320)

 “A palavra finado é um adjetivo que qualifica algo ou alguém que finou que chegou ao fim, que está morto.” (Vânia M.Vasconcelos)

Mas o que está morto é apenas o corpo físico, fenômeno comum a todos os seres vivos. O espírito, a essência criada à imagem e semelhança de Deus é imortal, precisa partir para continuar sua trajetória evolutiva.

Todos os dias, em algum lugar, em alguma dimensão desse maravilhoso Universo, pessoas se reencontram e se separam nessa caminhada em busca do aperfeiçoamento que nos levará ao Pai.

Questionado sobre esse reencontro numa entrevista, Mauro Operti respondeu: “Deus não cometeria a maldade de separar definitivamente dois seres que se amam. A essência da vida é o outro. Por que Ele juntaria num breve tempo de uma existência duas criaturas que se sentem felizes de estar juntas e depois as separaria pela eternidade?

Lembrar, sentir saudades, chorar é compreensível. As separações são doloridas mesmo aqui na terra. Apenas precisamos cuidar para não afligir os nossos queridos desencarnados, com o nosso desequilíbrio emocional.

As preces serão sempre bem-vindas em todos os dias e momentos. Uma prece saída do coração é como um jato de luz que alcança o alvo e o ilumina.

Que Deus abençoe a todos!


Fátima Almeida

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Sobre o Halloween!

Antes que alguém resolva ter um ataque de patriotismo e conteste o meu Halloween, quero fazer uma breve "comparação" entre ele e o Folclore Brasileiro.

O Folclore Brasileiro é comemorado no dia 22 de agosto.

Folclore: s.m. conjunto de costumes, lendas, provérbios, manifestações artísticas em geral, preservado por um povo ou grupo populacional, por meio da tradição oral; populário.

Alguns mitos  folclóricos do Brasil:
Boitatá, Boto, Curupira, Lobisomem, Mãe-d’agua, Corpo-seco, Pisadeira, Mula-sem-cabeça, Mãe-de-ouro, Saci-Pererê.

Em 2005, foi criado do Dia do Saci, que deve ser comemorado em 31 de outubro. Festas folclóricas ocorrem nesta data em homenagem a este personagem.” (uma questão de concorrência).


Halloween – Inicialmente referia-se ao termo escocês “Hallo-Hellu” (véspera do Dia de Todos os Santos) e a noite das bruxas na cultura de países de língua inglesa e originou-se das celebrações dos antigos povos Celtas. Teve vários nomes: Samhaim (fim de verão), La Samon e Festa do Sol. Mas o que ficou foi o escocês Hallowe’en.

“Marca o fim oficial do verão e o início do Ano-Novo. Celebra também o final da terceira e última colheita do ano, o início de armazenamento de provisões para o inverno, o início do período de retorno dos rebanhos do pasto e a renovação de suas leis. Uma das lendas de origem celta fala que os espíritos de todos que morreram ao longo daquele ano voltariam à procura de corpos vivos para possuir e usar pelo próximo ano. Os celtas acreditavam em todas as leis de espaço e tempo, que permitia que o mundo dos espíritos se misturasse com o dos vivos. Como os vivos não queriam ser possuídos, na noite do dia 31 de outubro, apagavam as tochas e fogueiras das suas casas para que elas se tornassem frias e desagradáveis. Usavam fantasias e faziam muito barulho a fim de assustar os possuidores de corpos.” (Google)

Como vêem, nada têm em comum e não vejo porque, num país democrático, em plena era da globalização, não se possa comemorar ou fazer alusões ao Halloween ou qualquer outra festa de origem estrangeira. Não vejo como isso desmerece a cultura brasileira. Portanto, antes de criticar, por favor, leia.

Fátima Almeida














segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A MENINA BORBOLETA



Em visita a certa cidade, recebi um estranho chamado. Uma senhora desconhecida precisava falar comigo e como se fosse uma coisa natural, dirigi-me para lá. Encontrei-a num casebre, em um bairro muito afastado e pobre, já muito doente e fraca. Ao seu lado, uma menina muito magrinha que deveria ter uns dois anos foi o motivo do chamado. Era seu desejo que eu levasse comigo aquela criança e dela cuidasse, pois não tinha mais forças para continuar a luta. Falou-me que vivia mudando de cidade, sempre reservada, para protegê-la.

Intrigada com a situação quis saber o que estava acontecendo então ela me disse que aquela criança era diferente, fazia “coisas”... Como transformar-se em objetos e apesar de não poder explicar ela aceitava e a protegia como uma guardiã. Como não sabia controlar os impulsos, por vezes as mutações aconteciam diante de estranhos. Há dias viviam naquele lugar, mas, a menina estava com outra criança quando viu um brinquedo e gostou. Transformou-se no brinquedo. A criança vizinha fugiu assustada e agora a pobre senhora temia que se a notícia se espalhasse algo de ruim acontecesse e ela não tivesse condições de defendê-la.

Ouvi todo o relato, atônita! Confesso que não acreditei numa só palavra, mas sabe Deus porque, diante do sofrimento daquela mulher fui incapaz de recusar ajuda. Sequer eu sei se era sua filha ou neta, mas era certo que a amava. Também não entendi “por que eu?”, mas na hora não questionei. Aproximei-me, a pequenina estendeu-me os minúsculos bracinhos e sussurrou “mamãe”. Abracei-a e ela grudou-se em mim como se fosse uma parte do meu corpo ou da minha alma.

Fugimos dali. Percebi que eu não estava só, algumas pessoas me acompanhavam embora não as conhecesse. Algum tempo depois chegamos a uma casa afastada, num lugar distante.

Telefonei para uma pessoa em quem confiava e pedi ajuda. Ela veio imediatamente com um acompanhante, estava disposta a ajudar, mas quando relatei os fatos, cética que era achou que eu estava louca e para nossa surpresa, enquanto discutíamos a menina literalmente dissolveu-se à nossa frente e em seu lugar, restou apenas uma maleta, exatamente igual à que trouxera. Estupefata, a pessoa, que eu considerava amiga, comunicou-se com alguém que descobri ser algo como um Instituto de Pesquisas, ou um Laboratório. Por certo tirariam a menina de mim, apesar das minhas súplicas e o pior, eu sabia, eu sentia que iriam maltratá-la.

Precisava encontrar um meio de salvá-la. De repente, enquanto meditava sobre a situação, uma linda borboleta colorida pousou ao nosso lado. Não sei bem explicar se era dia ou noite, mas, em meio ao escuro do céu, dois enormes círculos, um prateado e um dourado, jorravam luz em nossa direção. Sol e lua brilhavam juntos. Por que eu não me assustei com esse fenômeno? Olhei para a borboleta e para o céu. Era o sinal. Enfim a resposta às minhas preces. Se ela podia assumir a forma de um objeto, poderia transformar-se em um inseto. Algumas horas juntas foi o tempo que tivemos e eu a convenci a assumir a forma daquela borboleta e voar em direção à luz. Permanecemos unidas como se assim o fosse desde sempre. O imenso e inexplicável amor que sentia me dava forças para aquela separação e quando chegou a hora, pedi aos amigos que me ajudavam, para sorrateiramente, abrirem todas as janelas da casa. Então eu disse à borboleta, voe, voe alto minha menina, depois mamãe irá lhe encontrar. Ela voou. Nunca soube o seu nome. Sequer deram-me tempo de escolher um, mas decidi chamá-la apenas de Menina Borboleta.

Fátima Almeida
14/06/2015


 “Tinha um menino que saía todo dia,
E a primeira coisa que ele olhava e recebia com surpresa ou pena ou amor ou
Medo, naquela coisa ele virava,
E aquela coisa virava parte dele o dia todo ou parte do dia...
Ou por muitos anos ou
Longos ciclos de anos.”
  
(Walt Whitman (Folhas de Relva. Trad. De Rodrigo Garcia Lopes)