Nascer do sol

Nascer do sol
Não basta admirar e exaltar a grandeza da natureza. É preciso cuidar para que ela permaneça bela e possa ser também apreciada pelas gerações futuras.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015




Dreams II

Falling asleep in your arms
and waking up slowly
opening my eyes
and finding your sweet look
Feeling the heat of your mouth
seeking my lips
while your hands
slide on my body
making the recognition
of their domains
and in that moment
of tenderness and peace,
love happens.


                                      Fátima Almeida
                                     15.12.2015
  

sábado, 12 de dezembro de 2015

                               
                                       
Perdendo o verbo

Porque perder
foi o verbo
que mais aprendi
a conjugar
em minha vida.

todas as formas
todos os tempos
todos os modos

sempre
na mesma pessoa,
no singular.

tamanha é a ironia
que até consigo perder
o que nunca tive um dia.

Fátima Almeida

12/12/2015

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015



COMO O PEQUENO PRÍNCIPE...

O Pequeno Príncipe, obra fantástica do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, foi muitas vezes divulgada como Literatura Infantil, como uma fábula, mas se bem observadas as entrelinhas, percebemos tratar-se de algo mais complexo, permeado por um alto teor filosófico e poético e temos notado, um tanto decepcionados como ainda existem adultos que não conseguem ver “o elefante engolido pela jibóia”. Olham e não vêem, porque não usam o coração para ver que todos temos um pouco do Pequeno Príncipe e vivemos algumas das suas experiências ao longo das nossas vidas.

Como o pequeno príncipe...

Caímos em nossos desertos e encontramos pilotos tão concentrados em resolverem seus problemas que, por vezes, nem percebem a nossa presença e insistimos em chamar-lhes a atenção com os nossos “carneiros” apenas para conquistar-lhes a amizade.

Percorremos muitos caminhos em busca de respostas. Perseguimos sonhos.
 
Vivemos esperando o despertar das invisíveis sementes, tentando distinguir os “baobás” das “roseiras”, e tememos que os “carneiros” possam devorar as nossas “rosas”, vaidosas e orgulhosas, mas tão frágeis, apesar dos espinhos, embora precisemos deles para consumir os camuflados “baobás” que sorrateiramente dominam nossos planetas e asteróides.

Quando ficamos tristes gostamos de contemplar o pôr-do-sol e muitas vezes desejamos poder apenas mover a nossa cadeira para fazê-lo infinitamente.

Tropeçamos em cogumelos. Em reis nem sempre tão razoáveis como aquele que entendia que não se deve exigir de alguém mais do que esse alguém pode oferecer. Vaidosos inveterados, que só ouvem elogios e acham-se o centro do Universo. Beberrões que nem vêem a vida passar. Homens de negócios que se julgam donos das estrelas e em acendedores de lampiões que apesar de tão atrelados ao regulamento, são os únicos que realmente demonstram alguma preocupação com as outras pessoas..

Decepcionamo-nos com as nossas “rosas”, mas aprendemos com algumas “raposas” que o amor torna tudo possível, até suportar as larvas, para mais tarde conhecermos as borboletas, além de coisas importantes como aprender a criar laços, porque é chegado o tempo em que tudo se compra nas lojas, virtuais eu sei, mas nunca vimos uma loja de amigos e para não ficarmos sem eles precisamos “cativar”, mesmo correndo o risco de nos tornarmos responsáveis por aquilo que cativamos e o pior, correndo o risco de chorar. E é tão misterioso o país das lágrimas... (*)

Sentimo-nos sozinhos no deserto das nossas convicções, porque descobrimos com pesar, que os “homens passaram”.

Encontramos a esperança e nos encantamos quando, apesar de toda a aridez, os desertos nos revelam, ainda que lá no âmago, um poço fecundo de águas límpidas e transparentes.

No fim da caminhada, cumprido o nosso tempo na terra, temos a necessidade de voltar. Assim como o PRÍNCIPE, parecemos sofrer, parecemos morrer, temos medo até, mas apenas deixamos para trás o que já não nos serve, a veste densa é desnecessária lá em nossos “asteróides”.

Como “o essencial é invisível para os olhos” (*) os nossos pilotos costumam sofrer com a separação, mas acabam se conformando ao pensar que lá nas estrelas, estaremos sempre rindo para eles. 

O Pequeno Príncipe acaba por nos mostrar com sua linguagem e personagens simbólicas, uma profunda mudança de valores. Nos alerta que devemos avaliar melhor as coisas e as pessoas que nos cercam para que os nossos julgamentos não nos levem à solidão.

Somos adultos, temos as nossas ocupações e preocupações diárias, mas não podemos deixar morrer em nós a criança que já fomos. Não precisamos ser cogumelos, homens de negócios, bêbados, reis ou acendedores de lampiões apenas para provarmos que somos “pessoas grandes”.

Você duvida, que “quando o mistério é muito impressionante a gente não ousa desobedecer?” (*)

Fátima Almeida
20.11.15

Notas:

(*) citações  de Saint-Exupéry

Antoine Marie de Saint-Exupéry nasceu em Lyon, na França, em 1900. Entre suas obras mais conhecidas estão O Pequeno Príncipe, Vôo Noturno, Terra dos Homens e Cidadela.
O Pequeno Príncipe foi publicado, nos Estados Unidos, em 1943 e um ano depois Exupéry desapareceu numa queda do avião que pilotava. Hoje esse livro é o terceiro mais vendido no mundo.





ERA UMA VEZ... UM REI, UM PRÍNCIPE E UM PLANETA


Estamos em dezembro. Tempo do Advento, quando os cristãos se preparam para a chegada de Jesus, refletindo sobre seus erros e tentando viver em paz com os irmãos. Nas quatro semanas que antecedem o Natal, inicia-se o Ano Litúrgico, ou seja, o “Calendário da Igreja Católica” que não coincide com o ano civil.

Muitas mensagens começaram a circular nas redes sociais falando sobre esse período e sabemos que muitas pessoas desconhecem o significado. Não irei estender-me mais sobre o assunto, porque reconheço não ser capacitada para tal, apenas quis fazer a pequena referência para iniciar a reedição de um texto cujo tema, acredito caber em qualquer época do ano, mas que é ideal para as reflexões do Tempo do Advento.


ERA UMA VEZ um Rei muito poderoso. Era o Rei de todos os reinos do Universo.

Certo dia, um dos seus filhos, o mais especial, pediu-lhe algo peculiar. Queria permissão para cuidar pessoalmente dos seus irmãos menores e para isso precisava de um local onde pudessem aprender e ensinar as leis do amor, gerações após gerações.

O Rei comovido com o pedido do Príncipe aquiesceu e ordenou que fosse iniciado o projeto para a construção.

O Príncipe por sua vez, versado em todos os “assuntos”, chamou para si a responsabilidade e projetou o tão idealizado lugar, atentando para os mínimos detalhes.

O plano era perfeito! E assim surgiu em algum sistema solar, em alguma galáxia, um planetinha encantador, de um colorido sem igual, com uma variedade de espécies incalculável. Florestas, montanhas, planícies, rios e grandes oceanos abrigavam “vidas” sob formas diversas. A cada um foi dada a sua missão nessa jornada evolutiva.

Tudo estava perfeitamente organizado. Chegaram os filhos do Rei que habitariam aquele paraíso, mas como logo se julgaram superiores a todos os seres que encontraram, os trataram com desdém e acabaram por escravizar e destruir tudo para satisfazer os seus desejos egoístas.

O Príncipe que tudo via, tentou de mil formas resolver a situação, sem interferir no caminho dos seus irmãos, visto que essa foi a única exigência do Rei - a liberdade. A todos foram mostrados os dois caminhos e a escolha deveria ser livre. Sem sucesso, porém, apelou para o Pai que lhe propôs viver durante algum tempo como um deles, para tentar convencê-los dos seus erros e ajudá-los, através do exemplo, a entender e praticar o mais perfeito código de leis que já existiu e foi trazido por ele. Leis fundamentadas na ética e no amor. Mas nem todos entenderam esse gesto tão grandioso, o acusaram e o mataram (acharam em sua cegueira que o tinham matado) Coitados!

E assim o Príncipe dos Príncipes, o Governador daquele planeta criado com tanto amor e esmero tem assistido a destruição da sua obra. Muitos dos seus irmãos não o reconhecem, outros não têm olhos para vê-lo, arraigados que estão na matéria, enquanto mais alguns pregam o seu retorno sem lembrarem as suas palavras após a ressurreição: “Eis que estarei convosco todos os dias até o final dos tempos.”

Mas a missão do Príncipe não falhou. Quem soube ver e quis aprender, entendeu as suas lições de humildade desde que aqui chegou em uma  manjedoura, filho de jovens “pobres” e cercado por “animais”, em vez de palácio, reis e servos. Ele era sim filho do Rei dos Reis, mas deixou claro que o Seu reino não era material, perecível, quando disse que não era desse mundo.

Deu exemplo de confiança e obediência, quando ao ser crucificado poderia ter cruzado os braços e em vez disso ele pediu ao Pai para “afastar o sofrimento” se fosse possível, mas aceitou com resignação a sua tarefa. Seus muitos ensinamentos foram sempre através de exemplos.

Devido às alterações físicas e fluídicas do referido planeta encontrarem-se atualmente alteradas em virtude dos atos e atitudes indignas dos seus habitantes, tornou-se imprescindível antecipar e acelerar a grande transformação geológica. Como numa boa escola, os alunos já estão sendo redirecionados às “séries” condizentes com o seu aprendizado. É mais uma chance que o Príncipe concede aos seus irmãos que não entenderam o seu propósito e se recusam a seguir as leis de amor e os desígnios do Rei dos Reis.

Urge que se apressem todos. É tempo de refletir e se necessário for, de mudar, evoluir.

Fátima Almeida
Reeditado em 05/12/2015



Nota:

O Advento (do latim Adventus: "chegada", do verbo Advenire: "chegar a")[1] é o primeiro tempo do Ano litúrgico, o qual antecede o Natal. Para os cristãos, é um tempo de preparação e alegria, de expectativa, onde os fiéis, esperando o Nascimento de Jesus Cristo, vivem o arrependimento e promovem a fraternidade e a Paz. No calendário religioso este tempo corresponde às quatro semanas que antecedem o Natal.
Fonte: Wikipédia


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015


Bem desse jeito

toque suave
mente brilhante
olhar expressivo
voz cativante

toque cativante
mente expressiva
voz suave
olhar brilhante

em qualquer ordem,
qualquer forma de escrever
as palavras adjetivam,
confirmam, definem você.

Fátima Almeida
   04/12/15
                                
                                        LUA DE TODOS OS SONHOS

                                              Lua do céu
                                              Lua de mel
                                              Lua de sangue
                                              Lua do mangue
                                              Lua do cio
                                              Lua do rio
                                              Lua do mar
                                              Lua azul
                                              Lua sem luz
                                              Lua sem sol
                                              Lua sem lua
                                              Lua dupla
                                                           Superlua
                                             Lua da rua
                                             Lua nua
                                             Lua lua
                                             Lua de Jorge
                                                         Matando o dragão
                                             Lua polêmica
                                             Lua Inspiração
                                             Lua do verso
                                                        Do Universo
                                                        Do poeta,
                                                        De alma inquieta
                                             Lua paixão.
                                             Sei que você aí neste vasto Cosmo
                                             Que está acostumado a olhar em volta
                                             E ver muitas luas, nunca vai entender
                                             O amor que temos pela nossa
                                             Única e maravilhosa LUA.


                                                                    Fátima Almeida